Para além da poesia

nas decisões

no ar

tenho criado um mundo

 

Lá, seco as foices

lá, as minhas mãos frescas

 

Vindima da alma

 

 

  

E se a seriedade sorrir, dai

uma bordoada à serpente

para que o seu verbo volte a estender

a mão e os floretes

a quem entra no palácio

e, entendido,  põe um preço

ao valor das coisas

que já ao longe nos agradam.

 

Há alguma coisa lá em cima, na cabeça,

a enfeitar a via

entre a forma e o desejo.

São polícias vendidos ao gosto

na alfândega do mundo

comigo.

 

 

 

Ah, o tema do corpo!

Falei tão...! E o que não disse...!

Bebendo finos, cozinhando o ar.

 

Mais uma geração de filólogos

tropeçava nas cómodas

no tandem

na velhice pulcra da minha casa

na cidade dos cem poetas.

 

O convidado construía um fluxo

ordenava análises:

 

manter o equilíbrio sobre a razão,

como um capitel já sem volutas,

autêntico,

deixa-me zonzo, não é produtivo.

Antes, ser como a tarde, a casa;

um alguidar virado para cima.

 

 

 

 

Afinal, era isto o inverno.

malas de neve empilhadas pelo sol,

zimbro defumado,

raminhos de abrolho.


Acender esse fósforo de água,

confirmar o milagre

dos meus antigos talentos.

 

Ser esquimós

com a simples virtude

de nos arejarmos à chuva.

 

E esse zás das tílias titilantes,

esta chuva do pólen

transformada num dom.

 

 

 

 

De que plenitude és,

pequena,

o átomo mais belo?